domingo, 21 de outubro de 2018

Transtornos mentais e comportamentais afastaram 178 mil pessoas do trabalho em 2017



Discutir a importância da saúde mental no ambiente de trabalho nunca foi tão necessário como nos dias atuais. Segundo levantamento da Secretaria de Previdência do Ministério da Fazenda, só no ano passado foram concedidos 178.268 auxílios-doença, acidentários e previdenciários, em decorrência de transtornos mentais e comportamentais. Boa parte desse adoecimento tem ligação com o ambiente de trabalho e com as condições apresentadas pelo empregador ao funcionário. 

"O trabalho é a fonte de adoecimento psíquico quando há preocupação com o desemprego, sofrimento causado por assédio, seja ele moral, sexual, ou de qualquer ordem, ou bullying. Também existe um fator de risco quando o funcionário cumpre um horário intenso de trabalho ou passa muito tempo em um ambiente hostil e competitivo", explica a enfermeira e especialista em saúde mental Virgínia Rozendo de Brito.

Segundo ela, é imprescindível a criação de ambientes saudáveis, que proporcionem qualidade de vida ao trabalhador. "Mesmo com a tecnologia, que em alguns anos absorverá algumas funções, grande parte das atividades laborais é realizada por seres humanos e não robôs. Ter um espaço sadio faz toda a diferença em relação a esses transtornos, uma vez que vivemos em um ritmo de vida adoecedor - com cobranças e pressões. O fato de não pensarmos no ambiente de trabalho, pode causar um agravamento nos casos e, assim, déficit econômico e colapso social", afirma.

Para a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS/OMS), um ambiente que respeite e proteja os direitos básicos civis, políticos, socioeconômicos e culturais é fundamental para a promoção da saúde mental. Sem a segurança e a liberdade asseguradas por esses direitos, torna-se muito difícil manter um elevado nível de saúde mental.

"Uma pessoa que está sofrendo um adoecimento mental não consegue ser produtiva ou eficiente. Do ponto de vista econômico, ter várias pessoas em sofrimento psíquico intenso significa ter uma diminuição da produtividade no país. Para além desse ponto, pessoas em adoecimento mental deixam de aproveitar a vida em detrimento a sua dor. O empregador precisa observar o que está causando o sofrimento do trabalhador e, a partir do diálogo, propor alternativas para o colaborador", ressalta a especialista.

Entre os transtornos mentais e comportamentais estão a ansiedade, a depressão recorrente e as fobias. No caso desse diagnóstico, o empregador tem a obrigatoriedade de comunicar a ocorrência ao Instituto Nacional do Seguro Nacional (INSS), por meio do preenchimento da Comunicação de Acidente do Trabalho (CAT), e encaminhar o trabalhador à perícia médica do INSS quando houver afastamento superior a 15 dias.

Muitos empregadores, entretanto, ainda não reconhecem o adoecimento mental como causa para o afastamento e não realizam a emissão da CAT, o que dificulta a identificação do nexo causal da doença com o trabalho.

Personificação do trabalhador - Segundo a auditora-fiscal do Ministério do Trabalho Beatriz Cardoso Montanha, a legislação, no que se refere à saúde mental do trabalhador, ainda é incipiente. "A implementação de uma legislação é um grande desafio, assim como a mudança nas práticas das organizações. A saúde não responde a uma lógica cartesiana e não pode ser metrificada", pontua.

Para ela, a adaptação ao trabalho é a regra de muitas empresas. "O que percebemos é que o indivíduo tem que ser inflexível, e os trabalhadores que adoecem nesse ambiente são aqueles que não conseguiram ser resilientes. Logo, a culpa, na visão de muitos empregadores, é do trabalhador. As organizações precisam trabalhar esses pontos, para combater a desumanização no ambiente de trabalho", argumenta a auditora.

Neste Dia Mundial da Saúde Mental, o Ministério do Trabalho (MTb) chama a atenção para a importância da conscientização dessas doenças dentro do ambiente de trabalho e as condições de segurança e saúde proporcionadas por parte dos empregadores. "O trabalhador não é só um corpo, e o empregador não pode se apropriar da mente dele. A discussão dos direitos humanos deve ser feita em uma perspectiva integrada do ser humano", enfatiza Beatriz.

Data comemorativa - O Dia Mundial da Saúde Mental, celebrado em 10 de outubro, foi criado em 1992, pela Federação Mundial para Saúde Mental. O objetivo da data é de aumentar a conscientização sobre as questões na área e estimular a discussão sobre os transtornos mentais, aumentando os investimentos na prevenção, na promoção e no tratamento.

Principais fatores de risco de adoecimento mental e comportamental:
- Cargas de trabalho excessivas.
- Exigências contraditórias e falta de clareza na definição das funções.
- Cobranças excessivas por alcance de metas de trabalho.
- Comunicação ineficaz, falta de apoio da parte de chefias e colegas.
- Assédio psicológico ou sexual, violência de terceiros.

Fonte: Ministério do Trabalho / Revista CIPA

sábado, 20 de outubro de 2018

8 Passos para um DDS participativo.




Se sua empresa possui um sistema mínimo de gestão em segurança, com certeza deve possuir uma ferramenta chamada Diálogo Diário de Segurança - DDS.

Esta ferramenta trata-se de uma conversa de 10 à 15 min, com temas voltados para segurança, realizada diariamente, em que os empregados discutem aspectos sobre riscos e medidas preventivas a serem adotados durante a realização das atividades, assim como outros temas, como os procedimentos da empresa que tratem do tema de segurança.

No dia a dia, o que estamos vendo em grande parte das empresas, é essa ferramenta ser banalizada ou ser utilizada de forma inadequada, fazendo assim ela perder a sua efetividade. Isso acontece por alguns motivos como:

- Não utilização do tempo correto para o DSS;

- Utilização desse tempo para falar de outros temas não votados para a segurança e saúde;

- Tratar de temas não voltados para as atividades;

- Pessoas não treinadas e capacitadas ministrando o DDS;

- Utilização de temas não adequados;

- Ser realizado como monólogo (apenas uma pessoa fala) e não como diálogo (onde todos participam e colaboram).

Essa é uma ferramenta muito poderosa, entretanto, deve ser utilizada de forma adequada por todos os empregados e liderança.

Não se pode considerar esse momento como uma mera formalidade da empresa, mas sim como uma forma de discutir as atividades e enfatizar os comportamentos e procedimentos seguros que devem ser adotados durante a realização das atividades.

É necessário que alguns passos sejam seguidos para que se tenha um DDS eficaz e que este se torne interessante aos empregados.

Abaixo, cito 7 passos para que o DSS seja cada vez mais efetivo sendo:

1º- Aborde temas que estejam na rotina dos empregados:

2º - Estimule o dialogo durante o DDS:

3º - Utilize um quebra-gelo para envolver as pessoas antes do início do DDS;

4º - Comece o DSS fazendo um resgate do tema do DSS anterior;

5º- Faça a introdução explicando claramente qual é o tema;

6º - Desenvolva o tema utilizando perguntas para envolver as pessoas;

7º - Faça a conclusão do tema;

8º - Termine o DDS fechando compromisso comas atitudes e comportamento que a equipe terá com base no tema tratado.

Uma dica importante é manter, como o nome da ferramenta já diz, o diálogo entre os trabalhadores nesse momento. Este não pode ser um momento em que uma pessoa lê um texto pré-determinado e os outros ficam ouvindo. 

O ideal é que os trabalhadores falem sobre as atividades que irão ocorrer durante o dia e o risco sobre aquelas atividades, assim, fica mais fácil de se planejar as tarefas e identificar os riscos, traçando as medidas preventivas.

Experimente fazer assim, você verá os resultados !!!



Escrito por: Nonato Soares

sábado, 8 de setembro de 2018

Envolvendo a Tecnologia na Segurança do Trabalho.




Na segurança do trabalho, todos os esforços realizados são para o gerenciamento dos riscos e redução dos acidentes.

Todas as empresas investem recursos e tempo para que a mão de obra esteja qualificada e para que os processos sejam implementados da melhor forma possível, a fim de minimizar os riscos das operações.

Os procedimentos são sempre elaborados buscando abordar os riscos e medidas de controles e deixar claro aos empregados a melhor forma de executar as atividades, descrevendo um processo lógico, passo a passo, para que os empregados realizem as atividades de forma sistemática e com o menor risco possível.

Além dos treinamentos e procedimentos, as empresas investem também em EPI’s cada vez mais eficientes e confortáveis, para que os empregados possam utilizar estes o maior tempo possível.
Geralmente, essas são as ações mais utilizadas e que, de certa forma, geram um resultado positivo quando falamos na redução dos acidentes do trabalho.

Entretanto, com a constante evolução da tecnologia, precisamos também modernizar a forma como pensamos em segurança do trabalho.

Quando falamos em gestão de risco, geralmente falamos em dois aspectos fundamentais para calcular os níveis de risco, sendo a gravidade de possíveis lesões e a frequência de exposição ao risco. A gravidade das lesões se dá em virtude do que pode acontecer, entretanto a frequência de exposição, que é o quanto o trabalhador está exposto ao risco, pode ser muito minimizada utilizando e se pensando em novas tecnologias para a realização das atividades.


Vale ressaltar que, utilizando tecnologias, geralmente estaremos trabalhando nas partes mais elevadas da pirâmide das barreiras de proteção, sendo eliminação, substituição ou controles de engenharia.

Entretanto, devemos avaliar muito bem quais tecnologias devem ser empregadas e quais os efeitos que essas novas tecnologias tragam, para que elas também não tragam novos riscos aos processos.

Hoje já estamos vendo algumas dessas tecnologias sendo aplicadas e reduzindo os riscos dentro dos processos, contribuindo de forma muito efetiva para a redução dos acidentes do trabalho e para o bem-estar do trabalhador.

Veremos abaixo alguns exemplos de tecnologias que já estão sendo aplicadas como:

  • ·         Joystick para Içamento de Cargas



Um grande problema dos içamentos de carga, são pessoas que ficam no raio de ação devido a necessidade da operação dos equipamentos.

Atualmente, já existem sistemas que são instalados nos caminhões e guindastes que permitem que a operação seja realizada à distância, sem expor os executantes.

  • ·         Ferramentas Pneumáticas que reduzem a exposição de Mãos e Dedos



Um dos grandes aliados para a redução dos acidentes de mãos e dedos são as ferramentas hidráulicas, elétricas ou pneumáticas que retiram a exposição das mãos e dedos dos empregados.

Um que podemos verificar é a eliminação das chaves de impacto (chaves de bater) por ferramentas que já dão o torque adequado aos parafusos sem ser necessário de impacto algum, como as torqueadeiras pneumáticas.

Estes são alguns exemplos de várias opções que temos no mercado, de uso da tecnologia, para a eliminação de riscos.

Algumas outras opções são a robotização das atividades que é um pouco mais caro, mas que trazem resultados imediatos na redução da exposição ao risco.
Agora, basta pesquisar um pouco e utilizar as diversas tecnologias na promoção de um ambiente de trabalho cada vez mais seguro.

Escrito por: Nonato Soares.